Componentes Bioquímicos da Halitose

A Halitose é composta por grupos de substâncias (odorivetores) que causam o mau odor do hálito. Esses grupos estão divididos em três tipos:

Compostos Orgânicos Voláteis (COV):
São o resultado da decomposição de matéria orgânica com alto potencial de excitação olfativa. Exemplos: fenóis, indol, escatol, putrescina e cadaverina.

Compostos Sulfurados Voláteis (CSV): Produto final do metabolismo proteolítico realizado pelos microorganismos localizados no dorso posterior da língua, produzindo três tipos de compostos de enxofre com alto poder de excitação olfativa: sulfidretos (os mais voláteis), metilmercaptanas e dimetilsufetos.

Compostos Metabólicos Sistêmicos:
São substâncias provenientes da circulação sangüínea, expelidas através da respiração. Exemplos: amônia, uréia, compostos nitrogenados, cetonas, cetoácidos, ácidos graxos, derivados metabolismo de proteínas, lipídios, certos alimentos, medicamentos de odor carregado, etc.


Fonte: TÁRZIA, Olinda. Halitose. protocolo saudbucal. ABPO.
 
 A Saliva e a Halitose

A saliva é secretada pelas glândulas salivares e sua composição está dividida em 99% de água e 1% de componentes orgânicos e minerais. Essa secreção é feita por 03 pares de glândulas maiores (parótida, submandibular e sublingual) e por inúmeras glândulas menores localizadas, principalmente, na mucosa oral.
 
O líquido secretado por essas glândulas lubrifica tecidos e dentes, permitindo uma redução do atrito e uma melhor movimentação da língua, facilitando também as condições para a mastigação desempenhar seu papel na digestão dos alimentos.

Apesar de não ser essencial à manutenção da vida, a saliva possui muitas funções que contribuem bastante para o trabalho e a proteção do organismo. São elas: limpeza, lubrificação, poder tampão, sensação do gosto, digestão, antibacteriana, coagulação do sangue, equilíbrio hídrico, via de excreção, etc.

A falta ou diminuição da saliva é conhecida como hipossalivação ou xerostomia e pode ocasionar uma série de condições patológicas, como por exemplo, um aumento no índice de cáries com poder de rápida destruição dos dentes.

O estresse psicológico e o efeito colateral de aproximadamente 20 grupos de drogas são responsáveis pela pela hipossalivação ou xerostomia temporária ou de longa duração. Essas drogas estimulam a inervação simpática das glândulas salivares, provocando uma vasoconstrição, que é capaz, por si só, de alterar a secreção salivar. Com essa vasoconstrição, o suprimento da glândula pode ser reduzido ao ponto de inibir o processo secretor.

A xerostomia contribui para o aparecimento do mau hálito, pois causa a redução do fluxo salivar, o que facilita a instalação da saburra lingual (camada esbranquiçada no dorso posterior da língua). Além disso, o que se observa é que, com a hipossalivação ou xerostomia, a quantidade de mucina presente na saliva (proteína salivar que garante a lubrificação e a proteção da mucosa e dos dentes) permanece praticamente a mesma, num volume menor de saliva. Isso reduz a ação da lizozima (enzima que mata bactérias), fato que compromete a ação antimicrobiana da saliva e favorece o surgimento de doenças periodontais, além de dificultar sua cura.

A normalização do fluxo salivar é conseguida mediante algumas condutas, tais como: adoção de uma dieta mais rica em vegetais e proteínas, diminuição do consumo de carboidratos, uso de estimuladores gustatórios e táteis, e até administração de drogas para estimular a inervação parassimpática
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Fontes: ALDOUS, J. A. Induced xerostomia and its relation to dental caries. J. Dent. Child., 31: 160-162,1964. BIBBY, B. G. et al. The antibacterial action of human saliva. J. Amer. Dent. Ass., 25: 1290, 1938. PINHEIRO, C. E. Curso de bioquímica da carie dental: artigos publicados na Revista Paulista de Odontologia. Editada pelo Sindicato dos Odontologistas do Estado de São Paulo.
  

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